O livro “Jug Og Pãn Txi (2026) Na trilha dos nossos antepassados: a retomada do território Xokleng Konglui”, organizado pela cacica Xokleng Cunllugn Veitchá Teie com os pesquisadores Bibiana Harrote Pereira da Silva e Paul Schweizer, trata da trajetória do povo Laklãnõ/Xokleng e da retomada do território Xokleng Konglui em São Francisco de Paula (RS). A publicação foi editada a partir das narrativas orais de integrantes da retomada, transcritas e organizadas em nove capítulos, acrescidos de fotos de variados momentos da retomada, bem como de desenhos criados pelas crianças da comunidade. Como escreve no prefácio a pesquisadora Laklãnõ/Xokleng Walderes Coctá Priprá, a polifonia de vozes do livro constitui “não apenas um registro histórico” mas “um manifesto de resiliência e um tributo à cartografia espiritual de um povo”. Assim, somos convidados a “dialogar com pessoas, pássaros, espíritos, florestas e suas memórias e a caminhar junto na luta da retomada à (re)construção do território ancestral”.
A combinação de elementos narrativos orais e informações contextuais com base científica, ricamente ilustrada, torna o livro uma excelente base para o trabalho pedagógico nas áreas de história, geografia, antirracismo e para discutir relações entre sociedade e entidades mais-que-humanas. A versão em audiolivro, produzida cuidadosamente por Priscila Thorstenberg Ribas, amplia as possibilidades de aplicação pedagógica, bem como a inclusão de diversos leitores e ouvintes.


Desde 2020 a retomada Xokleng Konglui sobre a área da Floresta Nacional de São Francisco de Paula, liderada pela cacica Cunllugn no nordeste deste estado, pressiona os operadores do direito a reconhecerem a presença indígena nos Campos de Cima da Serra. Mas, essa história começa na verdade muito antes com a caminhada dos pais de Cunllugn, Veitchá Teie e Paclon Ndilli, em busca do território ancestral historicamente habitado por seu núcleo familiar. Cunllugn assume esse sonho, de andar sobre essa trilha, onde, há mais de um século atrás, a tia-avó de seu pai fora sequestrada pelos bugreiros, onde os avós Vanheky e Tendo viveram, onde o umbigo de seu pai Veitchá fora enterrado e onde hoje habitam seus espíritos.
Essa é apenas uma parte da narrativa do livro “Jug Og Pãn Txi – Na trilha dos nossos antepassados: a retomada do Território Xokleng Konglui”, organizado de forma colaborativa pela cacica Cunllugn, pela historiadora Bibiana da Silva, pelo geógrafo Paul Schweizer e pela editora da i-Motirõ. Metodologicamente o livro foi construído a partir de narrações orais de Cunllugn e outros integrantes da comunidade transcritas e organizadas em nove capítulos. Os textos são acrescidos de fotos de diferentes momentos da retomada, bem como de desenhos criados pelas crianças da comunidade, traçando o futuro do território. O projeto gráfico é de Lucas Icó, que foi o responsável pelo trabalho de revisão narrativa, distribuição de textos, fotos e desenhos das crianças e produção de imagens. A obra desvela o mito de uma identidade regional racista, que por muito tempo negou as trajetórias indígenas e narra a presença da memória e dos próprios corpos Xokleng Konglui no Rio Grande do Sul.


Conforme trecho do texto de autoria de Roberto Liebgot presente na contra-capa da obra: “Esta publicação nasce como gesto de memória e afirmação. Antes de qualquer palavra escrita, há a presença viva do povo Xokleng Konglui, que não desapareceu nos tempos dos bugreiros, não sucumbiu à colonização estatal e não foi aniquilado pelos processos de ocupação e devastação impostos sobre seus territórios. Permaneceram. E, ao permanecerem, fizeram do tempo um aliado: memória que resiste, futuro que se anuncia, força viva que crê, sementes que germinaram apesar da violência. São filhas, netas e bisnetos de Seu Veitchá Teie, originário das serras do Sul. Mas sua história não pertence ao passado encerrado, ao contrário, é presente em disputa, em direção ao amanhã que se constrói com coragem.”
Já no prefácio escrito por Walderes Coctá Priprá, a arqueóloga diz que: “Ao documentar esta jornada, este texto cumpre dois papéis fundamentais: reconhece a presença indígena indelével na Serra Gaúcha e afirma a identidade de um povo que é, por direito e história, o guardião de um território milenar. Que estas páginas sirvam como ferramenta de resistência e que a voz dos anciãos continue a ecoar, lembrando-nos de que a memória é o mapa mais preciso para o futuro.”
No dia 2 de julho de 2026 às 16 horas na Sala Redenção de cinema da UFRGS a comunidade estará reunida apresentando a publicação do livro físico, audiolivro, além do documentário “Território Xokleng Konglui: I Seminário das Mulheres Indígenas da Floresta”.
LIVRO DIGITAL PARA DOWNLOAD:
Skip to PDF contentÁUDIOLIVRO: https://archive.org/details/audiolivrojugogpantxi
Página da Retomada Xokleng Konglui
Produção: Associação Jug Vaj By Ti Jo Va (Sonho de meu pai) e i-Motirõ; Financiamento: Lei Paulo Gustavo / Secretaria da Cultura do governo do estado do Rio Grande do Sul.