Los Piratas son los padres II

O texto a seguir foi publicado originalmente no livreto “Os piratas são los padres: Histórias em los albores de la era digital” do coletivo catalão Exgae (http://exgae.net). Este livro está sob a Licença Poética 2008 que pode ser lida na íntegra em http://la-ex.net/los-oxcars/programa/pirataslospadres

Basicamente, ela quer dizer: Multiplica e reparte.

 

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Visões do futuro

 

NATURE

4 de maio 2056, Vol 471, numero 9696, p42

 

Seção Direito e Saúde, com Harvey Brillant, Doutor em Direito

 

Meu marido e eu queremos ter filhos mas nos deparamos com um problema. Nos consultamos com três eugenistas e todos nos dizem que qualquer combinação de nossos genes que possa resultar em um bebê saudável está patenteada e não temos bastante dinheiro para pagar as patentes. Isso está correto? Anexo nossos perfis genéticos, declarações de bens, folhas de pagamento e os impostos de renda dos últimos cinco anos.

(Mãe e Martir em Madrid)

 

Felizmente, não está totalmente correto. Algumas dessas patentes se podem evitar com um aleatorizador de íntrons. As clínicas de saúde não costumam dar essa informação, porque o sequenciamento aleatório de genes está sujeito às tarifas fixadas pelo tratado de OMPI de 2027, e lhes deixa poucos benefícios. Mais complexo e mais caro é o uso de diferentes códons para expressar as proteínas descobertas pelas patentes (as patentes são de procedimento, assim que não cobrem as proteínas em si).

 

Porém, isto os deixa de todo modo sujeitos ao bloque de patentes de Genintech sobre o sistema imunológico, cuja estratégia à prova de bombas foi desenhada pela famosa equipe da divisão de genética da IBM. Ainda que a terapia modifique domínios não conservados das proteínas em questão, as patentes seguem sendo válidas; estão perfeitamente blindadas. Assim que está certa, você e seu marido não podem permitir um bebê saudável. Vocês terão que gerar um bebê com um enfermidade menor e buscar uma cura que entre no seu orçamento.

 

Minha recomendação é que tenham um bebê celíaco. O transtorno celíaco é tratável com um retrovírus desde o ano 2042 e há uma solução com licença livre (sobre a General Genetic License da Free Software Foudantion), desde 2042. As patentes seguem ativas, mas se podem adquirir a preços muito acessíveis, já que foram adquiridas pela Open Genetics Consortium quando da quebra da Pfizer-Monsanto em 2056. Se você e seu marido não têm predisposição genética ao transtorno celíaco, vão precisar comprar os genes de um doador.

 

O melhor lugar pra fazer isso é Jinling, na China. É o único país que implantou a exceção do copyright genético ao tratado de 2027, enquanto que no resto dos países o doador conserva direitos sobre as obras derivadas de seus próprios genes e, consequentemente, teriam direitos sobre seus netos. Além disso, depois do colapso demográfico, o Yuan está muito baixo, assim que hipotecando a casa podem lhes permitir umas férias ao mesmo tempo que têm um bebê saudável (com um 97,5% de probabilidade). Felicitações.

 

Tradução: Tadzia Maya

 


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